Wine Future: Breve Panorâmica das Sessões da Manhã do Primeiro Dia
Wednesday, November 25th, 2009
Nota dos Editores: Antes de tudo, permitam-nos pedir desculpas por não tê-los apresentado ao Wine Future antes do evento. Desde a manhã de 12 de Novembro, estivemos conduzindo um blog “ao vivo” em www.catavino.net/wine-future-live, fazendo nosso melhor para trazer a você exatamente o que estamos vendo e experimentando em uma das mais importantes conferências sobre vinho de 2009 – bem, junto com o EWBC é claro
O que vocês vêem abaixo é um resumo do que experimentamos na manhã do dia 12, escrito por Michael Oudyn. Um resumo das sessões da tarde virá em seguida. Se tiverem qualquer pergunta, por favor deixem-na nos comentários abaixo ou no blog “ao vivo”. Saúde e obrigado!
Primeira Sessão: A Crise Econômica Global na Indústria do Vinho
Palestrantes: David Cunningham, Matthieu Chardronier and Xavier Pages
David Cunningham, da Constellation Wines, ressaltou que a indústria do vinho tem sido uma das mais resilientes durante a crise. Embora os restaurantes estejam sofrendo, as pessoas ainda estão comprando vinho. Ele alertou contra a tendência à obssessão pelo preço; a indústria deveria tentar um diálogo com o consumidor mais sobre qualidade que sobre preço, o que não é fácil em tempos de recessão. Ele alerta contra cortar os orçamentos de pesquisa e menciona “vinhos mais leves de se beber” (com um teor alcoólico de cerca de 4% a 5%) e “bags-in-a-box premium” como possíveis áreas de crescimento. (foto por Albert Gonzalez Farran)
Outro fator que agrava os problemas da indústria do vinho é a tão conhecida queda no consumo per capita nos tradicionais países consumidores de vinho. Mas deveríamos olhar mais cuidadosamente as estatísticas. Por exemplo, enquanto o consumo caiu na Argentina dos 80 litros/ano na década de 1980, a qualidade e portanto o preço dos vinhos subiram. De maneira similar, na Espanha o consumo caiu, mas 72% do mesmo agora é de “Denominação de Origem”. Isto é um desafio, mas também uma oportunidade na faixa dos preços médios.
Matthieu Chardronier deu uma visão da crise de uma das “mais reverenciadas” regiões, que está também liderando as melhorias na França, o “google de Bordeaux”. A retomada ainda não aconteceu e muitas propriedades estão lutando por sobrevivência. Alguns dos agravantes mencionados por ele são a regulação excessiva e a fragmentação da indústria com muitos pequenos produtores que criam seus próprios competidores. Muitos dos vinhos mais baratos estão desaparecendo graças à competição; eles não são competitivos na faixa dos US$5, mas ainda são na dos premium e super-premium. Bordeaux aprendeu a fazer vinhos drasticamente melhores nos últimos trinta anos, especialmente nos níveis mais altos. Eles aprenderam a fazer vinho realmente bom, mesmo em safras ruins. Novas gerações de wine-makers que viajaram extensivamente e estão trazendo uma visão atualizada do mercado global estão tomando as rédeas.
Xavier Pages, diretor-geral da Cordoniu, propôs uma “visão mais distante”; sobrevivemos a guerras, guerras civis e crises financeiras antes. É verdade que os produtores menores estão falindo com freqüência, mas isto também irá passar. Como os “baby boomers” eles são muitos (70,000,000 nos EUA), ao contrário da Geração X (somente 40,000,000 nos EUA). Como um grupo eles vêm o vinho como mais sofisticado e têm uma atitude muito cética em relação à mídia tradicional e confiam mais nos bloggers. (Nós do catavino.net imaginamos se ele percebia que, enquanto dizia isto, nós bloggers estávamos transmitindo sua mensagem.)
Sessão 2: Como melhorar as vendas no On-Trade
Palestrantes: Richard Halstead, Tim Hanni
Richard Halstead trabalha no mercado inglês, mas há “temas e situações” que vão muito além de seu mercado. No “on trade” (restaurantes, bares, hotéis), de acordo com ele, os restaurantes simplesmente não estão fazendo o trabalho deles; estão falhando em envolver os bebedores de vinho como um todo e há alguns caras que você quer no restaurante por causa de seu relativo poder aquisitivo. O maior problema são os preços excessivos. A bebida mais popular no Reino Unido agora é vinho branco, não cerveja, especialmente desde que ficou proibido fumar nos pubs. Mas o alto preço do vinho não pode continuar; os consumidores rejeitam esses preços instintivamente. O índice de confiança está desabando. Este vem sendo exarcebado pela crise, mas os problemas têm continuado por muito tempo antes da crise. Existe uma moda de comer “bem” em casa ao invés de sair. E o alto custo do vinho nos restaurantes claramente influencia esta moda. Os consultores muitas vezes dizem o que é “gritantemente óbvio”; neste caso, é que o vinho é visto como uma boa compra em uma loja, mas fora de controle em bares e pubs. Alguns restaurantes, como o Bob Bob Ricard, em Londres, estão começando a experimentar baixar os preços dos vinhos melhores. (foto por by Eisenvater)
Tim Hanni, um MW e consultor de restaurantes dos EUA, propõe uma perspectiva diferente sobre o comportamento humano e vê como isto funciona no mercado de restaurantes. Especialistas em vinho e vendedores deveriam “parar de acreditar em tudo o que (eles) pensam” e aceitar que as pessoas reagem de formas diferentes aos vinhos e que essas reações diferentes não são falta de instrução ou cultura, mas muitas vezes são fisiológicas, uma simples questão de número de receptores na língua, por exemplo. Pessoas que detestam o cheiro de Sauvignon Blanc muitas vezes são alérgicas a grama. A “educação do vinho” muitas vezes desanima as pessoas e pode inclusive ser contraproducente; o vocabulário não se encaixa. Sapatos não se encaixam nos pés de todas as pessoas, os vinhos também não. Não há “Masters of Shoes” nos dizendo que um sapato deveria serconfortável. Mas os vendedores deixam de fora uma grande parte do mercado porque eles estão bebendo coisas que “não deviam” Ele menciona especificamente os bebedores de vinhos doces. Os vendedores deveriam aprender a entender melhor o consumidor. Personalizar a experiência, levá-los em uma viagem à qual eles querem ir, não à que os experts pensam que eles deveriam.
Bernardo Silveira é o responsável pela tradução dos resumos sobre os fóruns e palestras que aconteceram na conferência WineFuture, em Logroño, Rioja em 12 e 13 de Novembro de 2009. Formado em gastronomia e especializado em vinhos pelo Wine and Spirits Education Trust, instituição inglesa vinculada ao Institute of Masters of Wine, hoje cursa em Londres o Diploma in Wines and Spirits e amarga não ter comparecido e assistido aos debates. Quando está animado, escreve sobre seus estudos e experiências em www.peripecias.com.br.
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Discurso do Ryan em forma escrita, sem qualquer das notas adicionais e informações que surgiram durante a conferência.



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