Breve Panorâmica das Sessões da Tarde do Primeiro Dia
December 15th, 2009 |
Nota do Editor: Wine Future – Este é o segundo post/resumo do Wine Future LIVE www.catavino.net/wine-future-live – leia a Breve Panorâmica das Sessões da Manhã do Primeiro Dia. Fizemos nosso melhor para trazer a você exatamente o que vimos e experimentamos em uma das mais importantes conferências sobre vinho de 2009. O que vocês vêem abaixo é um resumo do que experimentamos na tarde do dia 12, escrito por Michael Oudyn. Publicamos vários artigos e fotos após este resumo, que serão traduzidos em seguida. Se tiverem qualquer pergunta, por favor deixem-na nos comentários abaixo ou no blog “ao vivo”. Saúde e obrigado!
Sessão: Mídia, Escritores sobre Vinho e o Futuro da Indústria
Palestrantes: Stephen Spurrier, Jose Penin, Gary Vaynerchuck e Jancis Robinson
Stephen Spurrier disse que “o comércio está se comunicando com o público” e que o ingles é a língua internacional do vinho. A revista Decanter tem trinta anos de idade e é uma típica publicação tradicional; seus leitores são 80% homens, pouco mais que um terço deles está no negócio de vinhos e muitos são de novos mercados. A maior parte da renda da revista vem de “jantares de alto nível”, que eles tentam manter originais. Por exemplo, organizaram o primeiro evento 100% “Tokaji” de Londres. Ele acha que os sommeliers são melhores degustadores que os produtores, já que estão em contato com os clientes e tentam ver os diferentes vinhos através de seus olhos. Ele admite que sua revista pode “ignorar o consumidor médio”, mas vê a mesma e os jantares como um modo de informar e portanto de fazer o vinho “aproveitável”.
José Peñin está preocupado com a questão da superficialidade. Um leitor seu confessou pular todos os artigos e ler somente as pontuações no final de sua revista, “Sibarita”. De acordo com ele, o jornalismo do vinho espanhol começou durante a transição política. Começou principalmente como uma conversa sobre a França e então vieram os escritores ingleses. Aí, por volta de 2000, avaliações de vinho sérias dentro e sobre a Espanha começaram a acontecer, mas a “guerra dos números” era muito mais importante que os textos de fato, então o interesse pelas pessoas e pela terra perdeu sua importância. Ele lamenta que os críticos tenham se tornado “vendedores de vinho involuntários”. Agora, ele diz que não há vinhos realmente ruins, o que quer dizer que os críticos não podem “se divertir tanto assim”.
Gary Vaynerchuck sustenta que a nova tecnologia da internet está fazendo o conteúdo mais e mais importante, já que o preço de publicação no “novo mundo da mídia” é praticamente zero. Escritores não terão que partilhar seus lucros com os editores. Parker precisava de um empréstimo de sua mãe, mas esses empréstimos não serão mais necessários no futuro. Ele concorda com Peñin que as pessoas perderam o senso de terroir porque “há poucos contadores de histórias”, mas agora nós todos podemos contar nossas próprias histórias. Não existe um “avant-garde versus antiga-ordem” aqui, mas sim que agora “o conteúdo é rei” e neste ambiente “o creme subirá para o topo”. A internet é “o momento mais importante para a mídia desde a impressora”.
Jancis Robinson é menos otimista sobre o creme subir para o topo porque com tantos escritores on-line é cada vez mais difícil estabelecer o que é realmente válido. Ela diz que nos tempos antigos sempre houve pouco feedback de seus “leitores obedientes”, mas agora os escritores precisam “andar nas pontas dos pés”. Ela diz que o jornalismo impresso parece precário desde que a receita dos anúncios baixou e agora há cada vez menos regras. Ela concorda que eventos gastronômicos caros podem manter as revistas no mercado.
Como melhorar as vendas e o consumo através de feiras e competições
Palestrantes: Baudouian Havaux, Manuel Julia, Mel Dick
O moderador Robert Joseph explicou que seu International Wine Challenge costumava ser a maior competição do mundo. Ele sustentou que muitas publicações fazem mais dinheiro através das competições que com suas revistas. Ele colocou uma pergunta que é chave para os produtores: a quais feiras de negócios alguém deveria comparecer? Não dá para ir a todas elas, o que iria devorar todo o seu lucro. Uma questão parecida é, obviamente, como as medalhas que ganhas irão trabalhar como agentes promocionais; como pode-se fazer delas ferramentas de marketing que agregam valor?
Baudouian Havaux do Concours Mondial de Bruxelles falou sobre os benefícios de enviar vinhos a feiras internacionais. Ele disse que os benefícios óbvios são o potencial de marketing, mídia e comunicação. Parece uma boa idéia, mas ele chama atenção para as armadilhas: a primeira é que há uma “multitude de feiras que confundem os consumidores”; o ideal seria reduzir o número de feiras internacionais para cinco ou seis. Existe falta de credibilidade já que muitos, muitos vinhos têm medalhas de competições pequenas que levam a uma falta de confiança. Ele mencionou a muito-discutida questão de uma “globalização do gosto” e imaginou se essas feiras não estão contribuindo para isto. Ele alertou as companhias que participam de feiras para que sigam três recomendações: (1) chequem a qualidade dos juízes; (2) tenham certeza de que os resultados terão publicidade, ou não terão o menor valor; (3) e usem os resultados como uma ferramenta de motivação interna para a sua equipe.
O Concours Mondial de Bruxelles está tentando manter seu caráter internacional provando vinhos de muitos países; tendo degustadores internacionais; e fazendo as competições em diferentes países, certamente não em Bruxelas todos os anos. Havaux também recomenda padrões rígidos para manter a credibilidade. Todo esforço deveria ser feito para certificar-se de que os vinhos provados são os mesmos que os vinhos das garrafas nas lojas e uma análise estatística rigorosa deveria ser feita para ter certeza de que os degustadores estão sendo consistentes. As competições deveriam se lembrar de que elas devem construir sua marca para que, idealmente, as pessoas comprem um campeão de Bruxelas ao invés de um Rioja ou um Pinot Noir.
As feiras de vinhos foram então discutidas por Manuel Julia da Fenavin, uma das maiores feiras da Espanha, que acontece em Ciudad Real, uma pequena cidade próxima a Madrid. O objetivo é vender vinho nas feiras. Ele se perguntou: por quê tantos negócios podem ser feitos em uma pequena cidade? Como a feira pode seguir funcionando em comparação com Madrid, Barcelona, ou mesmo Valencia? Há que se ter uma “clareza de negócios” nas feiras deles e entender a correlação entre a oferta e a demanda. A demanda é o que é importante. A Fenavin fez cuidadosos estudos sobre o que os compradores não gostavam. Eles disseram que era essencial facilitar para o comprador um modo de encontrar todos os produtos à venda. Ele também notou que uma feira nunca pode ser uma feira de três dias. É necessário um mês de preparações antes e um mês livre depois para fazer negócios.
O próximo foi Mel Dick, organizador do “South Beach Wine and Food Festival” que, no último ano, mostrou a maior coleção de vinhos espanhóis dos Estados Unidos. A maior questão foi: como é possível melhorar as vendas através de festivais gastronômicos? Para honrar a eno-gastronomia espanhola, eles convidaram o rei e a rainha da Espanha. Ele enfatizou que essas feiras são excelentes pontos de vendas porque atraem uma demografia rica e podem reforçar a lealdade de marcas com ambientes que adicionam valor a elas. Com esse fim, convidam chefs-celebridades, músicos e políticos.
Bernardo Silveira é o responsável pela tradução dos resumos sobre os fóruns e palestras que aconteceram na conferência WineFuture, em Logroño, Rioja em 12 e 13 de Novembro de 2009. Formado em gastronomia e especializado em vinhos pelo Wine and Spirits Education Trust, instituição inglesa vinculada ao Institute of Masters of Wine, hoje cursa em Londres o Diploma in Wines and Spirits e amarga não ter comparecido e assistido aos debates. Quando está animado, escreve sobre seus estudos e experiências em www.peripecias.com.br.
Photos by thirstforwine


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