S. João do Porto e Dia do Vinho

July 9th, 2009 |

sant_joaoFestas de S. João no Porto – O dia em que a cidade cinzenta se torna mais colorida e alegre!

O Porto é tipicamente uma cidade construída sobre granito, cinzenta, austera, que reflecte bem o espírito das suas gentes. Gentes trabalhadoras, obstinadas nos seus objectivos e que acima de tudo nunca viram a cara à luta. Esta é a minha cidade e a minha gente. Porém, todos os anos, de 23 para 24 de Junho há uma “revolução” total nesta bela cidade. É tempo de comprar o “martelinho” e o alho porro, e rumar para junto das áreas onde tradicionalmente existem as diversões típicas, e claro está os “comes e bebes”. Não sou ainda muito velho, mas tem-se vindo a assistir a uma transformação na forma de festejar este dia. Na minha juventude, cada bairro fazia os seus “bailaricos”, e em bando eu e os meus amigos íamos passando de bairro em bairro, ou melhor, de baile em baile, encostando “às boxes” para um copo, e para um “piscanço” de olho às raparigas… E assim íamos até chegar ao centro da cidade, onde nas Fontaínhas ou na Ribeira desembocava toda a maré de foliões, como nós. Hoje em dia, acabaram praticamente os bailaricos, mas ainda é costume ver enormes grupos de jovens de martelo e alho porro em riste, prontos a “castigar” quem por eles passa! E esta é uma tradição única no mundo! Não faço ideia de quem saiu a ideia do martelo de plástico (hei-de fazer uma pesquisa), mas na verdade é uma brincadeira (nem sempre suave) que acompanha esta festa desde há muitos anos. Outra das tradições desta noite de loucura, é a bela sardinha assada, que neste dia se apresenta quase como um manjar VIP, tal o preço que atinge. É a tal lei da oferta e da procura… Mas ainda assim o seu aroma empresta aquele ambiente único à cidade, e sem elas a festa de S. João não seria a mesma. Dantes, lembro-me que as “tasquinhas” provisoriamente montadas em qualquer espaço disponível, serviam vinho, em malgas (tigelas de barro pintadas ou não), normalmente o vinho verde tinto, que nós chamávamos de “carrascão” tal era a sua carga taninosa e elevada acidez. Mas com uma sardinha assada e um pedaço de broa de milho, não havia nada que soubesse melhor, podem crer! Agora estamos mais na era da cerveja (também gosto!), uma vez que grande parte das festividades e atracções têm o patrocínio das maiores cervejeiras. Sinal dos tempos… Mas, continua a ser uma festa fantástica, que aconselho todos a visitar pelo menos uma vez na vida. Livrem-se de preconceitos, esqueçam as agruras da vida, e no próximo ano venham dai, visitem-nos! Não se irão arrepender concerteza! (Flickr foto de by BijouxKa )

Dia do Vinho

dia do vino lisboaDecorreu no Porto e em Lisboa mais uma edição do Dia do Vinho, no passado fim-de-semana de 27 e 28 de Junho. Apesar de ser o 6º ano consecutivo, nunca tinha ido, e portanto este ano lá passei pelo Porto. O espaço estava bastante agradável, a paisagem muito bonita, com o Castelo do Queijo dum lado e a praia de Matosinhos do outro, e portanto passei momentos bem agradáveis. Alguns dos produtores em presença, são já os habituais nestas andanças, pelo que pude rever alguns amigos, conversar um pouco, e acima de tudo provar alguns vinhos. Estava um dia bastante “abafado” e carregado, e sem dúvida que a tendência era efectivamente para os brancos. Verifico com muita satisfação, que cada vez se fazem mais e melhores brancos no nosso País, e isso abona bem em favor dos nossos produtores e enólogos, que têm vindo a reconhecer a necessidade de apresentar produtos adequados à nossa estação estival, e até a pratos menos complexos, mais elegantes e ligeiros, e portanto incapazes de ombrear com um potente Douro ou Alentejo Tinto. Entre outros gostaria de realçar um vinho que me marcou, o Vale D´Algares Branco, 100% Viognier, e que constitui quanto a mim uma das melhores opções para brancos neste momento. É um vinho de uma elegância extrema, com boa fruta e acima de tudo muito equilibrado. Uma boa escolha! Nos tintos, gostaria de destacar o Cortes de Cima Reserva 2004, que foi alvo de uma “abertura” especial por parte do escanção Marco Valente, sendo depois decantado e servido. Cada vez fico mais fã dos vinhos deste produtor. Pela sua qualidade, e acima de tudo pela forma diferente como são produzidos. Não na sua essência, ou na sua vinificação, mas essencialmente na forma como são projectados antes da sua concepção. Um exemplo a seguir por outros nossos produtores, com elevada potencialidade! Para terminar “last but not the least” estivemos com a nossa amiga Cláudia Quevedo, enóloga da Quevedo Vinhos, onde finalizamos da melhor maneira com os seus recém engarrafados Colheitas, que são sem dúvida excelentes! Vinho feito com muito profissionalismo, gente simpática, calorosa, que sabe receber e abrir as portas da sua adega a todos os que os quiserem visitar. Aproveitem, vai valer a pena.

E como não se vive apenas de vinhos, ainda tive tempo de assear um pouco e para comer um belo gelado, daqueles de cone de baunilha (yum…) , que me fez recuar às memórias da minha infância, quando naquela mesma praia “cravava” tantas vezes a minha mãe…

Até breve!

Vitor Mendes

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