Alentejo – Praia, Sol, Simpatia e boa gastronomia!
August 17th, 2009 |
Como amante da boa comida, e já agora da boa bebida (leia-se vinho), sempre que tenho a rara oportunidade de fazer umas pequenas mas merecidas férias, tento aliar o útil ao agradável, o que quer dizer descansar (não fazer nadinha…), curtir um bom solzinho numa praia de areia branca e mar azul ao fundo, e conjugar isto tudo com boa gastronomia! Na minha opinião ainda continua a ser uma das melhores formas de passar umas férias revigorantes…
Desta vez, eu e a minha querida esposa decidimos de forma bastante espontânea e até surpreendente, passar um fim de semana prolongado na Costa Vicentina, ou seja, na costa Alentejana, mais propriamente na simpática e pacata vila de Santo André. A apenas alguns quilómetros de Sines e Porto Covo, é um local muito apetecível, pela sua tranquilidade, pela simpatia das suas gentes e pela proximidade das belíssimas praias. Local de atracção desta zona é também e fundamentalmente a Lagoa de Santo André, que se insere numa zona protegida, e que nos oferece num mesmo espaço uma bela praia virada para o atlântico, e a lagoa propriamente dita com as suas águas tranquilas…
Decidimos ficar num pequeno hotel rural, o Hotel Rural Monte da Lezíria, do qual ficamos fãs incondicionais. Trata-se de um pequeno hotel de cerca de 30 quartos, com uma área envolvente muito agradável, onde a tranquilidade é ponto forte. Os quartos são muito agradáveis, com todas as comodidades necessárias a uma boa estadia. O serviço de recepção é excelente, com funcionários extremamente simpáticos e diligentes a ajudarem-nos a descobrir os pontos de interesse da região que convém visitar. O pequeno almoço é uma refeição bem tradicional, numa pequena sala onde mais uma vez o conforto e a tranquilidade são bem a imagem de marca do hotel. Concerteza havemos de lá voltar!
Bom, mas é claro que aproveitamos para fazer algumas “incursões gastronómicas”. Aconselhados pelos simpáticos funcionários da recepção do hotel, frequentamos 2 restaurantes, um deles bastante próximo do mesmo, famoso pelos seus grelhados. Trata-se do restaurante “O capote”, mais conhecido por Monte Velho, e que se situa no interior do Centro Equestre de Santo André. Com uma esplanada envidraçada, virada para o picadeiro, a primeira surpresa foi o facto de nos terem sugerido que nos levantassemos da mesa, para ir escolher de entre o pescado desse dia aquele que gostaríamos de ver confeccionado! Peixe bem fresco, peixe desse dia, pescado na respectiva costa, e comprado bem cedo na lota para nosso deleite! Também é ponto forte deste restaurante os seus pratos com carne de porco preto, cujo sabor é inconfundível. Fizemos 2 refeições, entre carne e peixe, e apenas podemos dizer que é um local a visitar, com preços surpreendentemente baixos, e onde se come divinamente. Depois da informalidade de “O capote”, decidimos arriscar num local um pouco mais formal, com outro nível de preços, mas que não pudemos resistir a visitar. Trata-se do restaurante “Cais da Estação”, em Sines. O espaço é “mesmo” um antigo cais de mercadorias da agora desactivada estação ferroviária, cujo edifício principal um pouco mais à frente se encontra recuperado e mostra de forma incrível a beleza deste edifícios de traça inconfundível!
Parabéns à Câmara municipal de Sines pelo esforço! Falando mais propriamente do restaurante, o cais foi aproveitado e decorado de forma muito agradável. A madeira das vigas que suportam a cobertura dão um ar muito confortável, as mesas e cadeiras são elegantes e funcionais, e o espaço tem 3 pisos, com uma sala na cave que serve para ocasiões especiais (com a adega com temperatura controlada do restaurante como ponto obrigatório de visita), um primeiro piso com uma sala dividida em 2 partes, uma no que era o antigo cais exterior da estação, e outro onde se alojariam os serviços, e ainda um piso superior de dimensão mais pequena. Maravilhados com o primeiro impacto, apenas poderíamos esperar que o que se seguiria seria também bastante agradável… Embora o dia tivesse estado medianamente quente, a noite estava a ficar fresca, e por isso decidimos arriscar num prato principal mais “consistente”, uma feijoada de marisco, que nos foi vivamente aconselhada pelo nosso anfitrião Sr. Vítor Branco. Enquanto a feijoada estava a ser preparada, pedimos uma ameijoas à bolhão pato, enormes, carnudas, e que com o inconfundível sabor dos típicos coentros, proporcionaram uma boa entrada e preparação. Entretanto, e como sempre costumo fazer nestes espaços que pretendem ser mais exigentes a nível do serviço prestado, solicitei a carta de vinhos. Bom, o mínimo que posso dizer é que é uma carta excelentemente organizada, por tipo de vinho, por região, e finalmente com a indicação de todos os anos de colheita! Não será uma carta muito extensa, mas está muito bem seleccionada, com referências de praticamente todas as regiões portuguesas, com ênfase claro está para o Alentejo.
Outra das surpresas foi o preço mais que justo pelos vinhos disponíveis, e isto sim é ajudar os vinhos, a industria e os consumidores que assim podem ter mais escolha e provar mais referências! Decidimos escolher um vinho que quanto a mim é uma das excelentes propostas nos brancos do nosso país, um Ermelinda de Freitas Branco, no caso a colheita de 2007. A fruta, a frescura e a acidez equilibrada deste vinho, casou de forma espectacular não só com as ameijoas, mas também com a feijoada que se seguiu. A feijoada estava divinal, mais uma vez com o saborzinho a coentros que tão bem é aproveitado pela cozinha alentejana. Voltando aos vinhos, é de referir os copos perfeitamente adequados para o vinho, com uma prestação irrepreensível do nosso anfitrião. A temperatura de serviço foi também correctíssima, e isto é, nunca me canso de o dizer, ESSENCIAL, para desfrutarmos da melhor forma de um belo vinho. Como quase sempre acontece nestas ocasiões, e estando a feijoada excelente, abusamos um pouco e excedemos um pouco a nossa capacidade de “armazenamento”… mas um pecado de cada vez não é assim tão mau! Mas, teríamos obviamente de provar ainda uma sobremesa, e escolhemos também ainda por sugestão do Sr. Vítor, um bolo de bolacha com 3 tipos de chocolate, e cobertura de baba de camelo, e ainda um pudim de requeijão com nozes, bem tradicional! Tanto o bolo como o pudim estavam divinais, casados que foram com um magnífico moscatel da coleçção privada de Domingos Soares Franco, que mais uma vez servido à mesa e à temperatura ideal, nos provocou uma enorme sensação de prazer… E porque já não havia lugar para mais, decidimos retirar-nos para uma passeata pela localidade, para ajudar na digestão de tão magnífico repasto… Parabéns ao restaurante, a quem o idealizou e gere, e o nosso muito obrigado pelo atendimento simpático e eficiente do Sr. Vítor Branco. Havemos de voltar!
Até breve, e boas férias!
Vitor Mendes


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